sábado, 29 de novembro de 2008



Após ser servida, virando e girando o copo de modo a levar a cachaça até as suas bordas, deve-se constatar um película oleosa em torno das paredes internas, que escorre formando ondulações. O tempo de persitência maior dessas ondulações é indicação de qualidade. Esse atributo das boas cachaças é denominado de "oleosidade".
Fonte: José Carlos G. M. Ribeiro, Fabricação Artesanal da Cachaça Mineira, 2002.





sexta-feira, 28 de novembro de 2008

grita GLAUBER ROCHA...













CAVIC

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Padronização da Caipirinha









O governo publicou no Jornal Oficial da União os critérios para o preparo da caipirinha.
Uma coisa positiva sobre isso, é que a bebida utilizada é apenas a cachaça, e não outro destilado. Os ingredientes são os mesmos, mas a portaria publicada definiu a quantidade de açúcar branco e de limão a ser utilizado proporcionalmente a quantidade de cachaça.
Sabemos que a boa caipirinha depende muito de como ela é elaborada. Como diz um velho amigo chamado Chapelão: “a caipirinha é só colocar o limão com a casca, açúcar, pinga, gelo e mexer”. Mas a coisa não é tão simples, tem que ter a sensibilidade na sua elaboração, valorizando o sabor da cachaça com o limão e não exagerando na quantidade de açúcar, como acontece na maioria das vezes.



Para ter mais informações:
http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/11/03/e031118730.html



Ilustração: Cavic

domingo, 16 de novembro de 2008

Mais uma dose




A pinga Bandeira vem da Fazenda Bandeira, engarrafado por Aloysio da Cunha Pereira, Abaeté, Minas Gerais. A garrafa de 600 ml, fabricada em setembro de 2002, trás no seu rótulo a figura de um tamanduá-bandeira, e boas informações sobre o produto. A bebida é branquinha, nova, única destilação com 44% de graduação alcoólica.
Nas impressões olfativas deixa a desejar, sem cheiro de cana. O gosto fraco foge das características de uma cachaça nova.
Preço: R$ 9,40.


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Vamos cultivar a gentileza!
Salve o Profeta Gentileza.















Profeta Gentileza
Para sabe mais:
http://www.riocomgentileza.com.br/

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

UM BOM BEBEDOR...


Alguns acreditam que a pinga deve ser tomada em um único gole, e ao terminar o bebedor tem que fazer uma cara feia. Quem faz isso não sabe beber cachaça. A pinga tem que ser saboreada, valorizando cada momento do gole, não busca se embriagar, vai a procura de uma leveza, uma sensibilidade do paladar e do olfato, como argumenta Marcelo Câmara em seu livro Cachaça - Prazer Brasileiro: "sem estes talentos, ele será, no mínimo, um pinguço, um cachaceiro, no sentido pejorativo e homicida que as elites, historicamente, aplicam a quem bebe cachaça. Ou ele será, como dizem em Paraty, uma mala etílica".






sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Instituições tentarão alterar o nome da cachaça nos EUA



Convênio firmado entre o IBRAC (Instituto Brasileiro de Cachaça) e o Sebrae de Pernambuco iniciou processo para tentar alterar o nome da cachaça nos EUA. Um dos maiores entraves para as empresas brasileiras que exportam Cachaça para os Estados Unidos é a obrigatoriedade de constar no rótulo das bebidas a expressão “Brazilian Rum”
o que segundo as instituições descaracteriza o produto gerando perda de identidade da bebida que é típica e exclusiva do Brasil.

Segundo Cesar Rosa, presidente do IBRAC, a cachaça está enraizada na cultura brasileira e precisa ser reconhecida lá fora como tal. Para isso, o setor vem trabalhando ativamente e mobilizando esforços, além de desenvolver ações para ter internacionalmente o reconhecimento da exclusiva origem brasileira da denominação Cachaça.

Com objetivo de provar que o rum e a cachaça são produtos distintos, e por conseqüência o reconhecimento real do produto, o IBRAC tem desenvolvidos ações, em especial nos Estados Unidos junto ao Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau (TTB), agência americana responsável pela autorização e controle da venda de bebidas alcoólicas. O convênio firmado com o Sebrae Pernambuco respalda economicamente esse trabalho. O Instituto contratou um escritório de advocacia nos Estados Unidos para em conjunto com a Embaixada do Brasil em Washignton representar os interesses dos produtores de Cachaça e acompanhar todo o processo de mudança de legislação.

PARCERIA

“A parceria do Sebrae com o IBRAC busca o reconhecimento da cachaça como produto tipicamente brasileiro. A certificação de origem melhora a qualidade e fideliza o produto, revelando-se importante indutor de comercialização no mercado internacional. Creio que o Instituto Brasileiro da Cachaça contribuirá de modo significativo nesse trabalho, quer promovendo ações de inteligência competitiva para o setor, quer fornecendo informações estratégicas e direcionadas, tanto para o mercado nacional quanto para o mercado internacional”, explica o superintendente do Sebrae em Pernambuco, Murilo Guerra. A ação deve beneficiar cerca de 40.000 produtores de cachaça no Brasil.

Data: 26/09/2008
Fonte: Fator Brasil






quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Os brutos também amam...






















Tem um boteco que valorizo muito, localizado em Ivinhema (MS), tem um ambiente underground, um lugar para os "brutos". Seu nome é KimBar, acho que o bar tem uns 30 anos, o proprietário é o amigo Fernando cola. Tem um fato curioso, alguns anos atrás o banheiro (só tem um) tinha apenas o vaso sanitário, sem pia, a porta parecia com aquelas que tem nos bares de filme de faroeste, articulada e sem trinco, e na parede tinha um panfleto alertando sobre o perigo da gonorréia. Ambiente bruto.
Salve Kim!


KimBar
Ilustração: Cavic

domingo, 12 de outubro de 2008

cachaça SALMO XXIII

"Meu caro Edney, eu conheci a Salmo XXIII alguns anos atrás, por um amigo meu, o Beto Scretas, que frequenta direto a cidade de Monte Alegre do Sul, que fica a umas 2 horas de São Paulo, quase divisa com o sul de Minas.

Monte Alegre tem muitos alambiques.

Pois o Beto me levou um dia lá na fazenda Salmo XXIII, pra tomar a cachaça do Edson Peres. Maravilhosa… Acho q é a melhor que eu já tomei (não vou perder tempo aqui tentando descrever, que eu não sou louco…). Mas é cheirosa, macia, saborosa, enche a gente de espírito.

Aí, era assim: chegava lá, ele logo botava um copo pra cada um, e muita conversa, e bota um queijinho (que ele também fazia lá), e conversa, e bota outro copo, e mais um tira gosto, e no meio disso tudo ele ia contando como é que ele fazia a cachaça.

Eu sou leigo, não entendo bem o processo, mas descrevendo leigamente, começa que a fazenda dele fica num altiplano, já imaginou? Vc sai da estrada, pega uma estradinha de terra e vai subindo, subindo, subindo… Chega lá em cima, tem um valezinho, a fazenda é ali. Pois não é só a pinga que é feita ali. A cana também é plantada ali. E fermentada ali. Ele falava que era fermentada no ananás, que é um abacaxi do mato (que ele tinha ali também). Depois, passava por aquele processo todo, no alambique que ele limpava muito bem pra ela descer macia e saudável, e ele botava pra descansar por um tempo nas "cartolas", como ele chamava aqueles barrilzões de carvalho que ficavam numa espécie dum porão úmido e escuro. E ela só ia sair de lá da fazenda na mão de quem comprasse (ou na goela de quem tomasse...), já que ele não vendia no atacado. O Edson era escultor, então eu acho que de um certo modo ele esculpia cada safra, cada garrafa de Salmo… E vendia de uma em uma pra quem fosse lá. E provasse. E conversasse.

Agora em setembro ele morreu. Que triste… Eu estava lá, casualmente. A minha tristeza, além de ser pela pessoa, pelo bom papo, pela boa pinga, é porque quando morre um cara desses, que meio que é um guerilheiro-artesão-inventor, morre também um pouquinho duma maneira de se ver o mundo. Uma maneira pacífica, pessoal, que resiste, temperando força e marotice com talento e utopia, a essa vida medíocre que a pressa e a pressão tentam impor às gentes. Quando morre um cara desses, morre um pouquinho do espírito que dá valor a esse valor precioso que é o tempo. O tempo que leva pra fazer uma pinga com espírito. E o tempo que leva pra beber tal pinga com espírito.

O tempo preciso pruma coisa criar sabor.

Pois agora, como se diz no futebol, é levantar a cabeça e partir pra próxima. Porque, como acontece em toda boa história de quem detém um segredo sagrado, como o Edson, sempre tem alguém ao redor bebendo (oops…) a palavra sagrada. E corre a lenda que o filho dele conhece o caminho das pedras pra fazer a Salmo, timtim por timtim…

Que Deus abençoe o garoto e lhe guie o caminho, porque o mundo não pode ficar sem espírito…"

abração
Mauricio Pereira
http://www.mauriciopereira.com.br
http://www.myspace.com/mauriciopereira
http://br.youtube.com/user/mug5599


PS - pra complementar o meu relato, adiciono aqui o texto do Salmo XXIII, que é pra a gente sentir melhor essa pinga, e o texto e o mp3 duma canção minha que fala sobre gentes como o Edson Peres, chamada "Inventor Brasileiro", que é pra a gente honrar um sujeito desses.
Salmo 23

1 O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.
2 Deitar-me faz em pastos verdejantes; guia-me mansamente a águas tranqüilas.
3 Refrigera a minha alma; guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome.
4 Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
5 Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos; unges com óleo a minha cabeça, o meu cálice transborda.
6 Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor por longos dias.
Inventor Brasileiro (Mauricio Pereira)

era uma vez no meio do Brasil
num dia lindo feito outros mil
um inventor brasileiro a pé
come fubá, bebendo café…

um sentimento
um instrumento
para servir a população
por um momento
dá um alento
gera alegria na multidão

horas de busca
formas de luta
armazenando imaginação
ir generoso
belo e formoso
mesmo em confronto com a equação

no travesseiro
se numa noite
se desencontra a tua função
deus te acompanhe
dentro da angústia
atravessar pela solidão

gênios aos montes
tem pelas ruas
mil leopardos babando em vão
jogos de turmas
festas nas praças
potentes fontes de informação

simples inventos
feitos na hora
causem nenhuma assombração
caso um pedestre
pela janela
seja atraído pelo trovão

de uma idéia
sendo partida
pelo reflexo de um artesão
povo brilhoso
meu conterrâneo
consulta agora o teu coração

terça-feira, 7 de outubro de 2008

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

VITORIÓSA



Um ótimo nome para uma cachaça: Vitoriósa.
Essa cachaça (garrafa) se encontra no Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá (PR), na rua XV de novembro, 621, no centro histórico. O rótulo tem ao fundo um "V" colorido em verde e amarelo, a pinga é de 1940, tem uma graduação alcoólica alta para os padrões de hoje, 54 G. Lussac (Gay Lussac, químico francês que elaborou a lei para medir o volume do teor alcoolico das bebidas). O Rafael David que presenteou o blog com essa imagem.

Cavic

foto: Rafael David