sábado, 17 de setembro de 2011

Tomando uma...

Viajando por Morretes (PR) encontra-se na área rural do Marumbi o restaurante Engenho da Serra, um lugar muito amistoso com uma boa comida caipira, destaque para a massa fresca (nhoque) de mandioca com frango caipira.

Nesse ambiente ideal para tomar uma cachacinha foi saboreado a pinga que é produzida pelos proprietários do restaurante, no Engenho da Serra.

Localização: “prolongamento da R. Marcos Maluceli s/ n°"







Cachaça comemorativa aos 100 anos do engenho









Fotos: Cavic

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Cataia

Ervas, frutas, cacas de árvore... e tantas outras coisas acabam “temperando” a pinga. Alguns usam tais ervas como recurso medicinal, outros para melhorar o sabor de uma cachaça de má qualidade.

A Cataia é um arbusto que é encontrado no litoral norte do Paraná (Guaraqueçaba, Superagui) e também no litoral Sul de São Paulo (Ilha do Cardoso), as folhas da Cataia são adicionadas na cachaça, cerca de cinco folhas para um litro da bebida, após curtir é só coar e saborear.

Além da cor a Cataia altera o sabor e o aroma. O aroma remete a baunilha, caramelo, poeira, couro. O sabor lembra madeira com leve toque de cravo.

Para preparar foram usadas três folhas em 250 ml de cachaça, curtindo durante um mês e quinze dias. A cachaça utilizada foi a Corisco (branca).

A palavra Cataia significa folha que queima em tupi, ela á usada também como cicatrizante, tratamento de problemas estomacais e outros atributos.

As folhas de Cataia foi um presente do amigo Sandro Fernandes.



Cachaça curtida com Cataia




Fotos: Cavic

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite


O Que Será

Chico Buarque

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

MAIS UMA DOSE



Produzida pela Cooperativa dos Produtores de Cachaça Artesanal do Oeste do Paraná, Toledo, a cachaça Quaty de lote 002/06, graduação alcoólica de 41% apresenta um rótulo agradável constando um quati, animal que faz parte da fauna paranaense, o contra rótulo contém informações sobre a bebida e tem a imagem das Cataratas do Iguaçu.

Uma bebida nova, prata, aparência límpida formando “lágrimas” na borda do copo.

O aroma primário é de cana, adocicado remetendo ao anis.

Nas impressões gustativas mantém um sabor leve, macio buscando uma certa neutralidade.

Essa pinga foi premiada com medalha de ouro na categoria de bebida não-envelhecida no 1° evento Cachaças do Paraná 2010.



Foto: Cavic

domingo, 21 de agosto de 2011

Harmonizando com Cachaça

Pensando em combinar a cachaça com alguns petiscos, fiz uma experiência com a pinga nova e envelhecida, o resultado me agradou. Busquei harmonizar a partir da potencialidade da bebida e dos petiscos, como a cachaça nova remete ao sabor mais seco, forte, foi escolhida uma comida com sabor forte e marcante, elaborando uma harmonização por semelhança.

A linguiça húngara apresenta um sabor acentuado e apimentado combinou bem com a acidez e a robustez da cachaça nova. Já a goiabada cascão foi uma surpresa, relacionou muito bem o adocicado da goiabada com sabor leve da cachaça envelhecida, lembrando que a goiabada cascão difere das goiabadas industriais, tanto na textura, aroma e o açúcar não exagerado. Fechando a harmonização com o queijo meia cura, acidez marcante do queijo e da cachaça nova, aproximou pela semelhança.





Linguiça húngara, Pomerode - SC



Goiabada cascão, São Gonçalo do Pará - MG



Queijo meia cura, Serra da Canastra - MG





Fotos: Cavic

sábado, 13 de agosto de 2011

Degustando a Cachaça

A revista Globo Rural divulgou um vídeo com o cachacista Jairo Martins.

Confiram:


domingo, 7 de agosto de 2011

parasitas...


Temos no Brasil um quadro político debilitado, mercenários que se dizem representantes do povo a procura de favorecer apenas o interesse próprio... até quando isso vai durar.

A história em quadrinhos aqui exposta mostra um pouco dessa angustia em relação a política brasileira.




sábado, 30 de julho de 2011

Engenho da Serra


O Engenho da Serra esta localizado em Morretes (PR), na área rural do Marumbi, próximo do centro da cidade

O engenho esta vinculado a história da família Gnatta que veio da Itália e há 100 anos produz cachaça naquele local. A Suily Terezinha Gnata, além de cuidar da produção de cachaça mantém um restaurante com comida típica da região. A história da família é possível ser entendida a partir de um quadro que fica na sala da casa construída em 1914, nesse quadro apresenta a árvore genealógica, tudo começou com a vinda dos italianos Giusepe Valentino Gnatta e Elizabetta Marcolin Gnatta em 1891. Na década de 1960 a casa da família passou por uma reforma e as janelas que tinham as extremidades arredondadas passaram a ficar retangulares, ao fazer o reboco das janelas o senhor Carlos Alberto Gnatta neto de Giusepe colocou algumas garrafas de cachaças para que no futuro as novas gerações poderão quebrar a parede para usufruírem das cachaças ali armazenadas.

O engenho está no pé do pico Marumbi, mantém uma reserva de floresta Atlântica tendo o rio Marumbi ao seu lado, arvores centenárias presentes junto com o cultivo agroflorestal idealizado pelo amistoso Luiz Paulo Gnatta, neto de Carlos Alberto Gnatta.

A produção de cachaça teve sua fase áurea na década de 1970, quando chegou a produzir cerca de 170.000 litros em uma única safra, hoje em dia é produzido pouco, atende mais os turistas que vem atraídos pelo restaurante. A cachaça produzida atualmente não tem registro no Ministério da Agricultura, algo que era diferente no século passado onde na saída do alambique era instalado uma espécie de hidrômetro para medir a quantidade de litros produzidos de cachaça para depois ser cobrado os devidos impostos. Na alambicada da garapa fermentada é separado a cabeça e a calda deixando apenas o “coração” para ter uma bebida de melhor qualidade, em cima do cano que goteja a pinga existi uma placa de madeira, a cada balde cheio (10 litros) é marcado um risco, na placa de madeira tem-se uma quantidade de retângulos, cada retângulo preenchido equivale a marca de 100 litros. A cachaça produzida é a branca nova, envelhecida em carvalho, cachaça com essência de hibiscos e as cachaças com frutas lembrando um licor. O engenho é tocado por uma roda d`agua que movimenta a moenda, o maquinário é o mesmo utilizado durante os seus 100 anos.

Além do engenho tem a igreja de São José construída pelo senhor Carlos Alberto Gnatta, a comunidade promove no mês de março a festa de São José e no mês de Setembro a festa de Nossa Sra. de Salete.



Roda d`água que movimenta a moenda



Moenda





Sala de fermentação


Alambique








Ambiente da saída da cachaça com placa de registro de litros produzidos











Medidor de cachaça (litros) lembrando um hidrômetro


Engenho








Igreja de São José


Mascote do engenho, o cão Jaburu





Desvio do rio Marumbi para movimentar a rod`água


Casa da família Gnatta





Após uma reforma foram inseridas garrafas de cachaça no reboco da parede


Árvore genealógica da família Gnatta


Giusepe Valentino Gnatta e Elizabetta Marcolin Gnatta


Antonio Domingos Gnatta (filho) e esposa, em cima quadro com pintura da casa antes da reforma


Rio Marumbi


Figueira centenária "abraçando" pedra

Pico Marumbi ao fundo










Fotos: Cavic

quarta-feira, 27 de julho de 2011

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Bets


O jogo popular Bets, Bete-ombro ou Taco é conhecido em grande parte do Brasil. A animação “Largando os Bets” foi desenvolvida pela equipe do Multimeios e busca resgatar essa brincadeira que fez e faz parte da infância de várias pessoas.












Ilustrações: Cavic

sábado, 16 de julho de 2011

MAIS UMA DOSE


A cachaça Inox é apresentada em uma garrafa de formato elegante contendo 500ml, o rótulo é agradável e discreto.

A cachaça é prata, bidestilada com 40% de graduação alcoólica. Produzido e engarrafado por Puríssima do Brasil Bebidas Ltda, Blumenau (SC).

A aparência é cristalina, oleosa, escorre na borda do copo. Em relação ao aroma não apresenta as características devidas de uma bebida nova, como o aroma acentuado de cana. O sabor é leve, sutil.

A Inox foi premiada em 2010 com medalha de ouro em um concurso de destilados nos Estados Unidos, o San Francisco World Spirits Competition.

No sítio eletrônico da Inox é possível encontrar a análise da bebida, no caso do contaminante Carbamato de etila apresenta valor menor do que o máximo permitido.

Essa bebida foi um presente do amigo Ricardo do armazém Corleone.


Foto: Cavic

domingo, 10 de julho de 2011

Câmara Cascudo

Considerado o sociólogo da aguardente, o historiador, antropólogo, advogado e jornalista Câmara Cascudo (1898 – 1986) escreveu o livro “Prelúdio a Cachaça” em 1967, um clássico da literatura envolvendo a Cachaça.


Câmara Cascudo

A tese central pode ser definida por uma viagem folclorica, uma retrospectiva na jornada da aguardente no Brasil, afim de descobrir como surge o costume e a tradição da bebida que "'serve para tudo e mais alguma coisa'" (p.21). Cascudo pesquisa desde como surgiu o nome Cachaça, até como era vendida, quando era bebida, quem a consumia etc. Sua retrospectiva sobre o assunto nos leva a uma jornada histórica voltando aos tempos coloniais dos canaviais e do tráfico negreiro, mostrando que a aguardente brasileira era bebida, mercadoria e um excelente e disputado presente. Cascudo se propõe a fazer um estudo analisando todas as dimensões da cachaça no Brasil, não fazendo um estudo do "complexo folclore, as aplicações da terapêutica superticiosa, os ritos da consumação plebéia", mas sim "um diagrama do percurso secular" (p.98), sobre a "água que passarinho não bebe" (p.3).

A cachaça, na opinião do autor conseguira uma façanha jamais alcançada em toda Etnogarfia Geral. Ela atingiu diferentes povos e raças penetrando no seu tocante mais difícil que é a religião. "...a cachaça anulou as restições litúrgicas, impondo-de como ortodoxa." (p.63). Um mundo que no entanto aparece imutável, a cachaça penetra e torna-se participante indipensável

O interessante destes dois capítulos é que a "bebida de Cabra" faz parte do cotidiano de todos, está nos arredores de todos os lugares, inclusive em uma festa natalina celebrava-se o nascimento do "Deus Menino", com a aguardente. Podemos perceber que o símbolo da cachaça para o cerimonial religioso não era só para os índios e negros com magias e feitiçarias, mas também para os brancos. As pastoras, simbolizando a religião, seguem o Guia e quase imploram para tomarem a bebida que ele carrega: "Senhor, deixe ver a prova/ Desta bebida excelente;/ Suando, não bebo vinho,/ O melhor é aguardente." (p.74). A pastora rejeita o vinho, bebida sagrada, e deseja a aguardente, enfatizando mais adiante "Oh! Que bebida tão santa!" (p.75).

Tatiana Paiva



Algumas frases do livro “Prelúdio a Cachaça”:


Vida de cabra é cachaça, ambivalência da frustração, da fuga à realidade opressiva ao eterno desajustado, hóspede de todas as culturas.” (p. 53)


Há uma tradição de que a cachaça misturada com pólvora provoca a coragem. Fora estímulo belicoso nas guerras do império.” (p. 69)


Constata-se que a banalização da cachaça foi o segredo motor de sua sobrevivência. Ficou com o povo...” (p. 98)