Mas, amor e cachaça
Enche toda uma praça
Basta ser brasileiro.
Pra 82
Rolando Boldrin

A cerveja Soqueira Relax Dubbel foi elaborada em maio de 2009, produzi essa cerveja seguindo uma receita elaborada pelos amigos da cervejaria Bodebrown, busquei diferenciar temperando com uma pequena quantidade de coentro em grão.
Para personalizar a cerveja, escolhi um nome, “Soqueira”, elaborei um rótulo que esta em constante transformação.
O nome “Soqueira” vem do avô materno. Quando acontece um casamento na família tem que ter uma segunda festa com as pessoas mais próximas dos noivos, essa festa é chamada de soqueira, sempre com muita comida e cerveja. O termo soqueira também é usado para chamar a sobra da colheita do arroz ou mesmo do trigo, é quando se corta o pé e sobra apenas a base da planta que recebe esse nome, soqueira. Como é um nome forte, marcante e faz parte do folclore familiar resolvi adotar para batizar a cerveja. Já o nome Relax foi devido alguns problemas que surgiram durante o processo de fermentação no qual achei que algo poderia dar errado, foi quando o amigo Samuel Cavalcanti comentou que deveria ficar “relax” que não iria ter problema de contaminação, com isso sugeriu o nome Relax.
A imagem central do rótulo retrata a mão de um homem rural se preparando para cortar a planta. No lado inferior direito tem a representação do hexaedro, símbolo usado pelos alquimistas na idade média relacionado a produção de cerveja, sendo que nessa época não se tinha conhecimento das leveduras que ocasionavam a fermentação acreditando que seria algo relacionado as forças da natureza.
Soqueira Relax Dubbel
Para melhor degustar uma bebida é preciso conhecer sobre ela, seja a sua história, suas características envolvendo aroma e sabor ou até mesmo o seu processo de produção. Podemos obter isso através dos livros. Foi lançado o livro Viagem ao Mundo da Cachaça, escrito pelo pesquisador e degustador de cachaça Manoel Agostinho Lima Novo, a obra tem 262 paginas produzido pela Editora NewBooks de São Paulo.
"O livro ostenta um grande diferencial entre todas as demais obras do gênero. Os outros autores sempre optaram por escrever os capítulos dentro de uma ordem conforme o processo de fabricação da cachaça – Plantação da Cana, Moagem da Cana, Fermentação, etc. – já o livro Viagem ao Mundo da Cachaça tem como primeiro capítulo a Degustação depois vem a Analise Sensorial e assim por diante. Entendeu o autor que o primeiro contato que o apreciador da cachaça tem é com a taça e não com a planta cana de açúcar. Assim a cada capítulo, ou seja, a cada estação ele vai despertando curiosidade para a “estação” seguinte".
O livro pode ser encontrado em várias livrarias ou pela internet em sites de venda online.
Viajando por Morretes (PR) encontra-se na área rural do Marumbi o restaurante Engenho da Serra, um lugar muito amistoso com uma boa comida caipira, destaque para a massa fresca (nhoque) de mandioca com frango caipira.
Nesse ambiente ideal para tomar uma cachacinha foi saboreado a pinga que é produzida pelos proprietários do restaurante, no Engenho da Serra.
Localização: “prolongamento da R. Marcos Maluceli s/ n°"









Ervas, frutas, cacas de árvore... e tantas outras coisas acabam “temperando” a pinga. Alguns usam tais ervas como recurso medicinal, outros para melhorar o sabor de uma cachaça de má qualidade.
A Cataia é um arbusto que é encontrado no litoral norte do Paraná (Guaraqueçaba, Superagui) e também no litoral Sul de São Paulo (Ilha do Cardoso), as folhas da Cataia são adicionadas na cachaça, cerca de cinco folhas para um litro da bebida, após curtir é só coar e saborear.
Além da cor a Cataia altera o sabor e o aroma. O aroma remete a baunilha, caramelo, poeira, couro. O sabor lembra madeira com leve toque de cravo.
Para preparar foram usadas três folhas em 250 ml de cachaça, curtindo durante um mês e quinze dias. A cachaça utilizada foi a Corisco (branca).
A palavra Cataia significa folha que queima em tupi, ela á usada também como cicatrizante, tratamento de problemas estomacais e outros atributos.
As folhas de Cataia foi um presente do amigo Sandro Fernandes.
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
Chico Buarque
Produzida pela Cooperativa dos Produtores de Cachaça Artesanal do Oeste do Paraná, Toledo, a cachaça Quaty de lote 002/06, graduação alcoólica de 41% apresenta um rótulo agradável constando um quati, animal que faz parte da fauna paranaense, o contra rótulo contém informações sobre a bebida e tem a imagem das Cataratas do Iguaçu.
Uma bebida nova, prata, aparência límpida formando “lágrimas” na borda do copo.
O aroma primário é de cana, adocicado remetendo ao anis.
Nas impressões gustativas mantém um sabor leve, macio buscando uma certa neutralidade.
Essa pinga foi premiada com medalha de ouro na categoria de bebida não-envelhecida no 1° evento Cachaças do Paraná 2010.
Foto: Cavic
A linguiça húngara apresenta um sabor acentuado e apimentado combinou bem com a acidez e a robustez da cachaça nova. Já a goiabada cascão foi uma surpresa, relacionou muito bem o adocicado da goiabada com sabor leve da cachaça envelhecida, lembrando que a goiabada cascão difere das goiabadas industriais, tanto na textura, aroma e o açúcar não exagerado. Fechando a harmonização com o queijo meia cura, acidez marcante do queijo e da cachaça nova, aproximou pela semelhança.
A revista Globo Rural divulgou um vídeo com o cachacista Jairo Martins.
Confiram:

O Engenho da Serra esta localizado em Morretes (PR), na área rural do Marumbi, próximo do centro da cidade
O engenho esta vinculado a história da família Gnatta que veio da Itália e há 100 anos produz cachaça naquele local. A Suily Terezinha Gnata, além de cuidar da produção de cachaça mantém um restaurante com comida típica da região. A história da família é possível ser entendida a partir de um quadro que fica na sala da casa construída em 1914, nesse quadro apresenta a árvore genealógica, tudo começou com a vinda dos italianos Giusepe Valentino Gnatta e Elizabetta Marcolin Gnatta em 1891. Na década de 1960 a casa da família passou por uma reforma e as janelas que tinham as extremidades arredondadas passaram a ficar retangulares, ao fazer o reboco das janelas o senhor Carlos Alberto Gnatta neto de Giusepe colocou algumas garrafas de cachaças para que no futuro as novas gerações poderão quebrar a parede para usufruírem das cachaças ali armazenadas.
O engenho está no pé do pico Marumbi, mantém uma reserva de floresta Atlântica tendo o rio Marumbi ao seu lado, arvores centenárias presentes junto com o cultivo agroflorestal idealizado pelo amistoso Luiz Paulo Gnatta, neto de Carlos Alberto Gnatta.
A produção de cachaça teve sua fase áurea na década de 1970, quando chegou a produzir cerca de 170.000 litros em uma única safra, hoje em dia é produzido pouco, atende mais os turistas que vem atraídos pelo restaurante. A cachaça produzida atualmente não tem registro no Ministério da Agricultura, algo que era diferente no século passado onde na saída do alambique era instalado uma espécie de hidrômetro para medir a quantidade de litros produzidos de cachaça para depois ser cobrado os devidos impostos. Na alambicada da garapa fermentada é separado a cabeça e a calda deixando apenas o “coração” para ter uma bebida de melhor qualidade, em cima do cano que goteja a pinga existi uma placa de madeira, a cada balde cheio (10 litros) é marcado um risco, na placa de madeira tem-se uma quantidade de retângulos, cada retângulo preenchido equivale a marca de 100 litros. A cachaça produzida é a branca nova, envelhecida em carvalho, cachaça com essência de hibiscos e as cachaças com frutas lembrando um licor. O engenho é tocado por uma roda d`agua que movimenta a moenda, o maquinário é o mesmo utilizado durante os seus 100 anos.
Além do engenho tem a igreja de São José construída pelo senhor Carlos Alberto Gnatta, a comunidade promove no mês de março a festa de São José e no mês de Setembro a festa de Nossa Sra. de Salete.























Giusepe Valentino Gnatta e Elizabetta Marcolin Gnatta
Antonio Domingos Gnatta (filho) e esposa, em cima quadro com pintura da casa antes da reforma

